À espera do apocalipse

         A revista Scientific American (www.scientificamerican.com) dedicou, neste mês de setembro, uma edição especial ao tema do apocalipse. Em um artigo introdutório, o editor da revista destaca a propensão do ser humano a criar ou dar crédito a profecias de final do mundo ou de catástrofes devastadoras para a humanidade. A que está em moda é a do final do calendário Maia, no ano 2012, seja lá o que representa esse final. Já se falou, também, que os experimentos do LHC (Large Hadron Collider), na Suíça, produzirão um buraco negro que nos engolirá a todos. Todos se lembram, ainda, do temido bug do milênio, que acabou não acontecendo.

         Espera-se que a ciência, com suas investigações e métodos racionais, seja um escudo contra este tipo de crença, mas o editor lembra que ela própria muitas vezes contribui para alimentar tal obsessão. Segundo ele, Bill Joy, o co-fundador da Sun Microsystems, alerta que os nanobots – máquinas microscópicas produzidas com nanotecnologia – poderão sair de controle e devorar tudo no planeta. O astrônomo Martin Rees apostou publicamente que uma catástrofe biológica irá matar milhões de pessoas até 2020. O biólogo de Stanford, Paul R. Ehrlich, reiterou, em seu livro “The population bomb”, de 1968, a previsão do economista Thomas Malthus, feita no século 19, de que o aumento da população levaria inexoravelmente à fome e à catástrofe global. Os meteorologistas também alertam para o aquecimento global que pode elevar catastroficamente os níveis dos oceanos. Acrescento a esta lista uma outra ameaça – citada por alguns cientistas – de que a próxima era glacial já está atrasada em milhares de anos (V. comentário em “A grande história da evolução”).

         A humanidade pode perecer, portanto, de várias maneiras: devorada por máquinas, engolida por um buraco negro, atacada por micróbios, dizimada pela fome, afogada debaixo do oceano ou congelada numa espessa camada de gelo, apenas para citar as teorias mais em voga e não esquecendo da ameaça permanente de uma catástrofe nuclear.

         Segundo o editor, a ciência pode contribuir para produzir certa angústia no cidadão comum, ao fazer tais previsões, mas ela também pode explicar as razões de nossa obsessão catastrofista e este parece ser o foco central da reportagem da revista. Entre as conclusões, a revista destaca que essa nossa obsessão tem raízes na própria natureza humana que busca identificar padrões em tudo. Faz parte dessa natureza construir histórias simples baseadas em conjuntos complexos de dados. O editor cita também que “o desejo de tratar eventos terríveis como o prenúncio do fim da civilização também tem raízes em outra característica humana: a vaidade”. Em outras palavras, nós nos consideramos o centro do universo e é parte de nossa limitada perspectiva acreditar que o momento em que vivemos é crítico para o fim da humanidade. “Imaginar que o fim do mundo está próximo nos faz sentir especiais”, diz ele.

         Mais detalhes sobre as razões dessa nossa obsessão somente lendo a reportagem da revista.

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