Apocalipse

          O artigo anterior,“Aurora Boreal”, deste blog, especulou sobre como será o homem do futuro, daqui a bilhões de anos. Naquele texto, o último estágio vislumbrado para o ser humano é o do homem cerebral, imaterial, inserido numa sociedade que muito se parecerá com um campo de energia vibrante e pensante.

         Nessa sociedade, a comunicação entre os indivíduos será feita telepaticamente e a própria sociedade será vista como uma enorme rede de comunicações entre mentes individuais, na forma de uma grande rede neural, como se fosse um único e imenso cérebro. Os indivíduos desempenharão uma função semelhante à que os neurônios têm num cérebro comum. Perdas de “neurônios-homem”, por morte, são compensadas por rearranjos nas funções dos “neurônios-homem” que ficam, enquanto outros “neurônios-homem” nascem e são treinados a assumir suas funções. Exatamente como acontece no cérebro humano de hoje. Toda a informação que essa sociedade necessita estará num banco de dados central, constituído por “neurônios-homem” especializados, numa configuração análoga à da memória do homem atual.

         Para preservar a individualidade e a privacidade, nessa sociedade totalmente interligada, os indivíduos manterão os seus pensamentos e as suas memórias privativos. Mais importante ainda, dispensados de monitorar um corpo físico que não mais existe, os cérebros irão adquirir capacidades quase inimagináveis. A maior delas será o domínio completo sobre os pensamentos, que associada a uma capacidade de memória sem limites, permitirá que os indivíduos materializem em sua mente qualquer situação que lhes convier, criando mundos virtuais no estilo daqueles dos filmes “Matrix” e “13º andar”. A expressão “sonhar acordado” será levada ao extremo.

         Cada mente será, então, o criador e senhor do seu próprio universo, contido em sua área de memória privativa. O conjunto dos universos imaginados por todos os indivíduos constituiria algo parecido com o que chamamos hoje de multiverso – universos paralelos que não se comunicam.

         Não se comunicam? Errado. Como o acesso à área de memória individual será controlado pelo próprio indivíduo, ele poderá permitir o acesso a outros indivíduos que assim estariam adentrando o seu universo. Esse processo lembra muito um buraco de minhoca, tão discutido nas teorias físicas atuais. O buraco de minhoca é um artifício imaginado pelos físicos para cortar caminho entre pontos situados a grandes distâncias cósmicas, podendo levar de um universo a outro. Os universos de nossos descendentes poderiam ser interconectados por esses buracos de minhoca que nada mais seriam do que o acesso permitido de uma mente à área privativa de outra.

         O papel da sociedade será o de manter essa imensa rede em funcionamento, gerenciando os bancos de dados da memória central e os procedimentos para a comunicação entre os indivíduos e entre eles e a memória central.

         Nesse cenário, nossos descendentes, seres puramente espirituais, terão o poder de criar seus próprios mundos e destruí-los quando quiserem, para, em seguida, construir um outro melhor. Paradoxalmente, a palavra felicidade será desconhecida daquele povo, do mesmo modo que a palavra dia não existiria num mundo que não tivesse noite. O homem terá atingido, então, seu mais alto grau de evolução.

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Foi então que a Natureza, que ficara em segundo plano nesse mundo utópico, gerou uma minúscula mutação genética. Uma pequena fagulha naquele colossal campo de energia, que mal pôde ser percebida, mas que tinha uma capacidade de disseminação compatível com a velocidade de comunicação daqueles seres. Seu efeito devastador foi equivalente ao apertar de uma tecla “delete”.

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2 comentários sobre “Apocalipse

    • Caro Galvão, Apesar de a probabilidade do Apophis nos atingir ser pequena, parece que estamos sempre sobre o fio da navalha, por esta e por outras ameaças. Penso que o melhor é não pensar muito nelas (sem deixar de agir, claro, quando necessário) e aproveitar a vida enquanto ela durar. Abs. Oscar

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