Resenha II – Formação da consciência

          Há um amplo consenso entre os cientistas de que três grandes perguntas ainda não foram respondidas a contento pela ciência: 1) Como o universo foi criado? 2) Como a vida foi criada? e 3) Como a consciência foi criada?

         A teoria do Big Bang, que tem grande aceitação entre os cientistas, explica como o nosso universo se originou a partir de uma grande explosão de uma massa concentrada de matéria há mais de 14 bilhões de anos. Entretanto, nada se sabe sobre as condições que antecederam aquele fenômeno.

         Sobre a vida, tem-se hoje um grande conhecimento da embriologia do ser vivo, desde a sua gestação até a sua decadência e morte. Além disso, dominamos o processo pelo qual as espécies são geradas e evoluem ao longo do tempo. Mas nada sabemos sobre o processo que originou o primeiro ser vivo a partir da matéria inanimada.

         Com a consciência a situação não é muito diferente. O conhecimento dos processos mentais tem se ampliado muito e já se tem um bom mapeamento do cérebro, que associa as principais funções com as regiões onde elas são executadas. Muito se sabe sobre os processos químicos e físicos que comandam as emoções e já foram desenvolvidos muitos medicamentos que tratam efetivamente de doenças mentais. Mas não conseguimos ainda descobrir onde está o “homenzinho” lá dentro de nosso cérebro que nos dá a noção de quem somos. Sabemos que a linguagem desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da consciência humana e que ela é, talvez, o item que faz a diferença entre as mentes humana e não humana. Mas não sabemos explicar exatamente como isso se processa.

         Como já falei antes, interesso-me muito por estes assuntos e, em especial, por este último sobre consciência. Assim, quero falar de alguns livros que li sobre isto com o objetivo modesto de trazer mais algumas pessoas para este clube. Confesso que eles não compõem uma amostra muito representativa da literatura sobre mente e consciência, mas ajudarão o leitor a se situar no assunto, além de servir como fonte de entretenimento.

         Em ordem cronológica, o primeiro livro que cito é o de Susan A. Greenfield (1995), de título “Journey to the centers of the mind” (Jornada ao centro da mente), em que a autora utiliza uma linguagem metafórica muito interessante para descrever os processos mentais pelos quais afloram os pensamentos. Ela associa os diferentes pensamentos que, a todo instante, competem em nossa mente, às ondas provocadas por perturbações diversas em uma superfície calma de um lago. As perturbações maiores prevalecem, mas logo perdem força para outras mais fortes que vêm em seguida. Essa analogia é muito útil para fazer o leitor entender os complicados processos mentais.

         O seguinte, é o livro de Daniel C. Dennett (1996), cujo título é “Kinds of minds” (Tipos de mentes). Nesse livro o autor – muito respeitado nesta área – procura distinguir a mente humana da dos animais e especula sobre a importância da linguagem para o desenvolvimento da consciência. Para os que gostam de inteligência artificial, o livro discute sobre a possibilidade de os robôs, um dia, virem a ser dotados de processos mentais semelhantes aos do homem. Outro livro do mesmo autor, o qual não li mas é muito citado por outros autores, é: Consciouness explained (A consciência explicada, 1991).

         Finalmente um livro em português, escrito por um neurologista português, António Damásio (2000), intitulado “O mistério da consciência”. O autor apresenta uma teoria sobre o funcionamento da mente, segundo a qual o nosso cérebro produz uma representação interna do eu (self) por meio do qual o indivíduo tem a noção de si mesmo (trata-se do “homenzinho” citado acima). Fiquei fã dessa teoria e em breve vou publicar uma espécie de resumo dela no blog.

         O próximo livro na sequência é do autor Marc Hauser (2001), intitulado “Wild minds – what animals really think” (Mentes selvagens – o que os animais realmente pensam). É um livro fascinante sobre as mentes dos animais, que procura mostrar as diferenças entre elas e a mente humana. O capítulo Know thyself (Conheça a si mesmo), sobre as experiências com diferentes animais diante de espelhos, é o ponto forte do livro, em minha opinião.

         Por último, indico um livro recente (2008) do autor Steven Pinker, intitulado “Do que é feito o pensamento”. Ainda não o li, mas tenho boas referências dele. O assunto central é, novamente, a linguagem como uma possível explicação da natureza humana.

         Boa leitura!

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3 comentários sobre “Resenha II – Formação da consciência

  1. Definitivamente ainda não encontramos consenso em relação a vários aspectos da consciência humana, conceito que vêm sendo discutido por especialistas de diferentes áreas de conhecimento.
    Ainda não me vinculei especialmente a um autor destas teorias, mas tenho me aproximado de algumas idéias de um neurocientista da Universidade de Nova York.
    Para este pesquisador, é a necessidade de adaptação ao meio que desenvolve o sistema nervoso, capaz de executar repostas como lutar, fugir, tomar decisões e especialmente, no caso dos seres com este sistema mais desenvolvido, prever a necessidade de emissão de respostas por aprendizagem.
    Não seria possível aqui explicar detalhes do funcionamento do cérebro humano, mas em suma, as percepções captadas do mundo externo são decifradas, conectadas e compreendidas por meio de uma série de reações neuroquímicas que permitem uma representação mental do meio ou situação vivenciada.
    Neste sentido, a consciência é compreendida como a soma das percepções que temos diante de um objeto ou evento.

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