Lost

Quando comecei a assistir a série Lost não fiquei muito entusiasmado, mas comecei a me interessar quando os personagens começaram a viajar no tempo. Como já falei na apresentação deste blog, um dos assuntos que mais me atraem é o mistério do passar do tempo – entidade física ainda tão pouco explicada pela ciência. Viajar no tempo é um sonho de qualquer ser humano. Voltar ao passado para corrigir erros cometidos ou visitar o futuro para saber como as coisas se desenrolarão são pensamentos que não saem de nossa cabeça. Um dia isso será possível? Quem sabe?

Voltar ao passado parece ser mais complicado do que ir para o futuro, porque isto pode criar tantos paradoxos a ponto de muitos cientistas dizerem que essa viagem nunca será possível. A cada momento o futuro tem um leque de possibilidades à sua frente, até que algo determine qual é a alternativa que vai vingar. Alguém viajando ao passado poderia interferir na escolha dessa alternativa e mudar o futuro de forma que tudo que aconteceu entre aquele instante e o presente não faça mais sentido. Este é o paradoxo mais comum da viagem ao passado.

Agora vamos voltar ao Lost. No primeiro episódio da última temporada os personagens, que tinham voltado no tempo ao ano de 1977, explodiram uma bomba de hidrogênio alterando a seqüência de eventos futuros. Aparentemente, naquele momento, foram criadas duas realidades alternativas, como se o futuro, diante de uma bifurcação, seguisse os dois caminhos ao mesmo tempo. Os personagens passaram a viver duas realidades distintas e incomunicáveis, como se estivessem em mundos paralelos. Esta é uma maneira de lidar com o paradoxo acima. Os ficcionistas dizem que a explicação para isto pode ter uma ajuda da mecânica quântica que afirma que os eventos futuros mais prováveis estão sobrepostos por uma função de probabilidade e que, até que algo cause a materialização de um deles, todos eles são candidatos potenciais a se tornar o futuro real. No caso de Lost duas alternativas se materializaram (ou nenhuma delas, e ambas estão no limbo da mecânica quântica). Para ficar ainda mais complicado, parece que alguns personagens transitam entre as duas realidades.

Para essa história ter um final feliz imagino que em algum momento as duas realidades terão que se fundir novamente em uma só de tal modo que os personagens possam trocar experiências das duas situações vividas e o Jack possa então dizer: “Eu não disse que daria certo?”.

Vamos aguardar.

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2 comentários sobre “Lost

  1. Ola Caco:
    Gostei de seu artigo. Como voce, eu também por vezes fico a tentar fazer algum sentido sobre o conceito do tempo. Parece que Kant afirmava que, tanto o conceito de tempo, quanto de espaço, não são nada mais que construtos mentais, que se desenvolveram conosco, humanos, ao longo de nossa evolução, de amebas ao que hoje somos. Veja que somente conseguimos estruturar nossas vidas e organizar nosso entendimento do mundo, colocando duas etiquetas a tudo o que acontece: quando algo ocorre (tempo) e onde (espaço). Sem esses dois atributos, nada faria sentido, nao é? Agora mais um paradoxo. Veja: o passado nada mais é que um conjunto de recordações, lembranças de atos acontecidos; portanto náo é algo real. É somente virtual. O futuro é, digamos, o potencial do que está para acontecer, mais ainda não se materializou; sendo também virtual. O futuro também nao é real. Agora, vamos ao presente. O presente nada mais é que uma linha separando o passado do futuro. Algo que separa duas coisas imateriais, virtuais, não pode ser de natureza distinta. Portanto, o presente também não existe como algo real; é também virtual. Como consequência, tudo o que se associa ao conceito de tempo (até mesmo o agora), de fato não tem existência real. Como dizia Kant: só existe no cérebro humano.
    Abs,
    Joao Lorenzzetti

    • Caro João,
      A compreensão do tempo é de fato um assunto instigante, assim como é o funcionamento da mente. E eles estão fortemente associados. Só conseguimos perceber o passar do tempo porque registramos os eventos em nossa memória. Kant pode estar certo quando diz que tempo e espaço são contruções de nossa mente (quem sou eu para questioná-lo!). Esse raciocínio levado ao extremo gerou a noção do solipsismo, tema que tratei em Gênese. É tudo muito instigante. Vou insistir ainda nestes temas nos textos futuros. Espero continuar contando com os seus comentários.
      Um grande abraço.
      Caco

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