Deus é um grande matemático

          Uma vez o homem olhou para as estrelas e começou a pensar sobre o que seriam aqueles pontos luminosos. Daí em diante ele não mais parou de pensar sobre os mistérios do universo e a sua curiosidade foi aumentando a cada nova descoberta que fazia. Das estrelas, seu alvo se voltou para o planeta Terra, daí para o ambiente que o cerca, seu corpo, sua mente, o mundo microscópico. Novamente voltou a atenção para os céus, as galáxias, os buracos negros, o infinito.

         Para tudo ele tentou dar uma explicação, procurou leis e modelos, construiu protótipos, fez simulações e testou hipóteses. De todas as ferramentas que ele utilizou para entender o seu mundo, nenhuma foi tão eficiente como a Matemática (desculpem-me os adeptos das outras disciplinas). Essa ferramenta ele desenvolveu com a mesma maestria que seus antepassados utilizaram para criar as ferramentas de caça.

         A Matemática do Newton nos explicou não só como as maçãs caem, mas também como os corpos atraem outros corpos, como os planetas giram ao redor do Sol e nos ajudou a construir automóveis, aviões e outras utilidades. A Matemática do Einstein nos ensinou como o espaço se deforma com a presença de um corpo maciço, como se fosse uma cama elástica sob o peso de uma pessoa, e como o tempo passa de forma diferente para diferentes pessoas.

         Além desses, evidentemente há inúmeros outros exemplos de modelos matemáticos que ajudam a explicar os diferentes aspectos do nosso mundo. Tudo bem – podemos dizer-, ainda bem que inventaram a Matemática! O que não nos ocorre com frequência é pensar que a Matemática foi criada depois da criação do universo. Assim, como o universo poderia seguir leis matemáticas se a Matemática ainda não existia quando ele foi criado?

         Pode-se argumentar que os modelos matemáticos não são modelos exatos do universo; são apenas aproximações da realidade e, portanto, o universo não segue lei matemática nenhuma. Isto tanto é verdade, que o modelo matemático de Newton foi substituído pelo modelo matemático de Einstein, que representa melhor a realidade.

         Este argumento, todavia, não é totalmente satisfatório porque as teorias mais recentes, que substituem as mais antigas na explicação dos fenômenos físicos, conseguem uma aproximação cada vez maior da realidade e esse processo de aproximação incremental tem levado a precisões inimagináveis na representação da realidade. A tal ponto que se torna irrelevante discutir se a realidade segue o modelo matemático ou se este é apenas uma representação aproximada daquela.

         Um exemplo radical do uso da Matemática na explicação do nosso mundo vem da Cosmologia. Existe uma teoria, ainda não suficientemente testada – por razões que parecerão óbvias –, que afirma que o nosso universo não é o único que existe. É a teoria dos chamados multiversos ou universos paralelos. Há várias versões da teoria dos multiversos (V. Scientific American Special Report – Parallel Universes), sendo a mais simples aquela que especula que existem outros universos, contíguos e semelhantes ao nosso, além do limite de nossa observação. A mais especulativa delas é a de que existirão tantos universos quantos forem os possíveis modelos matemáticos capazes de descrevê-los, o nosso sendo apenas um deles, descrito pelo modelo que estamos tentando formular desde que começamos a olhar para as estrelas.

         O apelo dos modelos matemáticos é tão grande que alguns cientistas dizem que a Matemática não foi criada pelo homem, mas sim descoberta por ele. Ela já existia e, portanto, em algum momento ela seria descoberta. Ela foi sendo descoberta aos poucos, como um fóssil sendo desenterrado, um osso aqui, outro acolá. Não só por nós mas também pelos nossos amigos extraterrestres. A mesma Matemática. Somente esta hipótese poderia explicar o imenso poder que a Matemática tem de representar a natureza.

         Assim, ao criar o mundo, Deus teria criado também a Matemática para que um dia nós a descobríssemos. Na verdade ele teria criado primeiro a Matemática e depois o mundo, fazendo-o funcionar de acordo com ela.

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6 comentários sobre “Deus é um grande matemático

  1. Guiga,
    Que pergunta difícil! Vou considerar que não foi uma pergunta retórica e tentar responder, mas acho que você vai se decepcionar com a minha resposta. Minha resposta é: a da matemática é mais difícil de responder. Explico porque. Richard Dawkins – um biólogo inglês que defende o Darwinismo até a morte – mostra, em seu livro “Deus, um delírio”, que a teoria da evolução das espécies dispensa a existência de Deus como criador dos seres vivos (note que isto é diferente de dizer que Deus não existe). Portanto, a resposta à pergunta da galinha e do ovo pode ser procurada sem colocar Deus no meio. Já a resposta à pergunta da matemática e do mundo não pode ser respondida sem envolver Deus, portanto, é mais difícil.
    Abs.
    Caco

  2. Dias, Grande Dias

    Gostei muito das suas colocações e principalmente dos temas abordados. Creio que teremos grandes debates…. se o Paquito participasse aí então nos sentiríamos no H8.
    Um assunto que me interessou muito foi a respeito a existência de mundos paralelos, outros universos, contíguos e semelhantes ao nosso…..
    Você saberia dizer como os caras chegaram a essa conclusão, foi mera especulação ou teve algum insight? Existe algum indício correto?
    Estou curioso a esse respeito pois recentemente tenho estudado o espiritismo e vários livros falam desses mundos “paralelos”. +/- seriam lugares para onde alguns de nós vamos depois da morte. A coisa é muito louca, dá para pirar.
    Parabéns pela iniciativa
    Cinquini

    • Grande Cinquini,
      Para ser direto, os cientistas dizem que há evidências da existência dos multiversos. Na verdade eles dizem que a questão não é se os multiversos existem, mas sim quantos níveis deles existem. No texto eu cito 2 níveis dentre os quatro que são geralmente considerados: o nível I, que resulta da idéia de universos contíguos e o nível IV, mais abstrato de todos, que trata dos universos matemáticos. Entre eles há os multiversos de nível II, que derivam da teoria da inflação eterna e os de nível III que derivam da mecânica quântica e compreendem os universos que estão exatamente sobrepostos ao nosso, cada um com sua própria probabilidade de existir. A idéia do espiritismo talvez se coadune mais com este último conceito. Como você falou, a coisa é muito louca mesmo.
      Abs.
      Dias

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